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Como mudar de casa, preparar o Natal, abraçar novos desafios profissionais e manter a tranquilidade

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O final de Novembro trouxe-me algumas surpresas. Coisas  só possíveis no mundo dos sonhos. Por isso, de repente tive que tomar decisões, fazer escolhas, sintonizar-me comigo mesma para que não fosse apanhada no meio de um turbilhão de emoções, tarefas e stress. Por isso, estive ausente (às vezes, precisamos de nos recolher).

Recebi um presente de Natal antecipado – a oportunidade de mudar de casa para um sítio fantástico. Aceitar? Não aceitar?  Ainda que habitualmente esteja disponível para experimentar novidades, não posso deixar de admitir que lá no fundo existe, dentro de mim, uma certa resistência à mudança, uma voz que sempre me segreda: “está tudo tão bem, tão equilibrado, mesmo havendo coisas menos boas… fica aqui, num sítio que tão bem conheces, onde te sentes aconchegada… para quê mudar?” Decidi aceitar e arriscar depois de me ter cruzado com uma frase tão inspiradora – “Let things come to you!”

De repente, decidi mudar de casa mesmo no meio dos preparativos do Natal, no meio de festas de final de primeiro período escolar e de um novo desafio profissional. Com cada pessoa que me ia cruzando e a quem ia comunicando a minha decisão, sempre ouvia: “que horror!” / “que trabalho!” / ” é terrível mudar de casa!” A verdade é que eu não sentia nada do que me iam dizendo. Estava feliz com a ideia. Entusiasmada. A minha escolha tinha sido consciente. Ponderara os prós e os contras, o trabalho inesperado nesta época do ano e por isso estabeleci para mim mesma algumas máximas que me ajudaram a manter a tranquilidade e a viver tudo com imensa alegria e gratidão:

  • iria dar trabalho, mas na vida muitas coisas dão trabalho; se apreciasse “o caminho”, a mudança seria muito mais agradável
  • durante o mês de Dezembro viveríamos acampados (“O que é que isso quer dizer, mãe?” / “Quer dizer caixotes por todo o lado; quer dizer que podemos querer uma coisa e não sabermos onde ela está; quer dizer que poderemos dormir com os colchoes no chão…” / “Mas isso pode ser muito divertido!” /”Pode pois!”)
  • iria ser exigente, teria menos tempo para cuidar de mim e dos miúdos. Consciente que nutrir-me seria fundamental numa fase tão exigente, confeccionei algumas coisas para que as pudesse ter à mão quando precisasse (uma boa dose de thaini, manteiga de amendoim, algumas refeições que congelei). Por outro lado, fui mais descontraída com os miúdos – quase nunca comemos na rua, este mês foi altura para isso!
  • iria aceitar as ajudas que me quisessem dar – foi uma excelente oportunidade para expressar as minhas necessidades junto daqueles que amo e dos muitos amigos que me rodeiam e depois aceitar o que cada um teve vontade de dar. E, por incrível que possa parecer, mudei de casa sem recorrer a uma transportadora!
  • iria estabelecer e respeitar limites – por mais que as pessoas à minha volta quisessem fazer muitas coisas, resolver muitos assuntos, eu saberia exactamente quando dizer “Não”, quando parar, descansar… Mesmo que muito ficasse por fazer. Sei no meu coração que “para tudo há um tempo e um momento” e que por isso não vale a pena correr e não nos respeitarmos
  • iria ser uma oportunidade para decidir o que queria que continuasse na minha vida e o que queria deixar, definitivamente, para trás. Convidei os miúdos a embarcar nessa aventura – quer se tratasse de coisas materiais, quer se tratasse de memórias. Assim, no último jantar na casa velha cada um recebeu dois papeis de cores diferentes, escolheu a cor que mais gostava e a que menos gostava. Cada um começou por pensar no que acontecera enquanto vivemos na casa velha, que não tinha sido bom e que  não queria levar para a casa nova (e nova etapa de vida). Cada um escreveu essas coisas na folha da cor que menos apreciava. Depois, na folha da cor que mais gostava, fez exactamente o contrário – “coisas boas que queria levar consigo”. As primeira foram queimadas, as segundas vieram connosco, guardadas num envelope.

Mudei de casa, celebrei o Natal com alegria e com receitas saborosas (que partilharei dentro em breve) e disse “Sim” a um novo desafio profissional para 2017, tudo com muita calma e tranquilidade. Com alegria. Com caixotes ainda na sala. Com coisas ainda na casa velha. A caminhar e a apreciar o caminho. A saborear cada minuto do 2017, numa casa nova, num local que tanto gosto.

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2 thoughts on “Como mudar de casa, preparar o Natal, abraçar novos desafios profissionais e manter a tranquilidade

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